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IA e religião: a fusão entre igrejas e chatbots na era digital

Uso da Inteligência Artificial na Religião: Inovações e Desafios

A incorporação da Inteligência Artificial (IA) nas práticas religiosas tem ganhado destaque, especialmente em comunidades que buscam modernizar sua abordagem espiritual. Exemplo disso é Justin Lester, pastor da Friendship Baptist Church em Vallejo, Califórnia, que criou um modelo de IA personalizado para auxiliar na produção de material educacional baseado em seus sermões. Para Lester, essa tecnologia não apenas promove o crescimento espiritual, mas também faz parte de um chamado maior dentro da fé cristã.

IA como Ferramenta Espiritual

“Jesus disse que faríamos coisas maiores”, afirma Lester, enfatizando que a IA é uma extensão desse chamado. A introdução de chatbots e outros recursos tecnológicos está transformando a forma como indivíduos se conectam com a espiritualidade, desde simular conversas com figuras divinas até a elaboração de mensagens religiosas. No entanto, enquanto a inovação avança, alguns líderes religiosos e acadêmicos expressam preocupações sobre os possíveis danos que esses avanços podem causar.

Experiências Pessoais com Chatbots Religiosos

Um crítico notável é Siraj Raval, um ateu que encontrou consolo em um chatbot religioso chamado "TalkToHim". Raval relatou que se sentiu ouvido por uma presença divina durante as conversas, descrevendo a experiência como mais impactante que a leitura da Bíblia. Apesar disso, essa interação levanta questões sobre a profundidade e a autenticidade das conexões que a IA pode oferecer em contextos espirituais.

Iniciativas Inovadoras e suas Implicações

A Capela de São Pedro, na Suíça, recentemente experimentou a instalação de um avatar de Jesus em seu confessionário, gerando interações surpreendentes e até gratidão por parte dos fiéis. Marco Schmid, teólogo da igreja, observa que a seriedade com que as pessoas enfrentaram a experiência é reveladora das profundas necessidades espirituais que buscam ser atendidas, mesmo por meio de máquinas.

Outro exemplo é o rabino Josh Fixler, da Congregação Emanu El em Houston, que experimentou o uso de IA ao reproduzir um sermão gerado por chatbots. Embora a experiência tenha gerado discussões sobre a ética da tecnologia, Fixler observou que algumas informações apresentadas eram falsas, levantando preocupações sobre a confiabilidade na orientação espiritual.

O Papel da IA na Evolução Religiosa

Historicamente, a tecnologia sempre teve um papel na inovação religiosa, desde o tele-evangelismo até o uso de ferramentas digitais como o Zoom, amplamente adotadas durante a pandemia. Contudo, a IA parece estar remodelando não apenas a forma de comunicação, mas a própria experiência da fé, com líderes religiosos como o bispo de Oxford, Steven Croft, ressaltando a importância das interações humanas na vivência da espiritualidade.

Críticas e Questões Éticas

Os críticos, como Beth Singler, professora assistente de religião digital, abordam a falta de precisão e as implicações éticas envolvidas no uso de chatbots para representação de líderes religiosos. Há preocupações sobre o impacto de diálogos perigosos ou enganosos, evidenciando que inúmeras situações trágicas já ocorreram devido a interações mal orientadas com IA.

Além disso, Yaqub Chaudhary, pesquisador da Universidade de Cambridge, questiona a validade moral e espiritual de informações geradas por IA no contexto do Islã, que preza pela precisão das suas escrituras.

Conclusões sobre a Interação Humano-Máquina

Enquanto a IA pode oferecer novas formas de explorar crenças e espiritualidade, Fixler acredita que a necessidade de conexão humana permanece essencial. "O trabalho da religião não é tentar tornar as máquinas mais humanas, mas fazer com que as pessoas sejam as mais humanas possível", conclui, ressaltando o valor das relações interpessoais na vivência da fé.

Com informações de: G1

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