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Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres amid escalada de feminicídios

Deputado Solicita Investigação de Trend no TikTok sobre Rejeição em Casamentos

Uma nova trend no TikTok, que se popularizou com a frase "treinando caso ela diga não", provoca polêmica e preocupação. Os vídeos, que simulam reações agressivas de homens após um pedido de casamento ou namoro ser rejeitado, têm gerado intensa repercussão nas redes sociais nas últimas semanas.

Violência Sugerida em Vídeos Virais

Nos conteúdos, criadores de vídeo encenam abordagens românticas seguidas por reações violentas. Essas simulações, que muitas vezes incluem gestos agressivos como socos e movimentos de luta, foram analisadas pelo portal G1, que identificou mais de 175 mil interações em vídeos de perfis com seguidores que variam de 883 a 177 mil.

A Polícia Federal (PF) já iniciou um inquérito para investigar a divulgação desse conteúdo, além de ter removido perfis que produziam esses vídeos após relatos de violência contra mulheres. O TikTok também se manifestou, afirmando que tais conteúdos violam suas Diretrizes da Comunidade e foram removidos assim que identificados.

Contexto de Crescimento da Violência de Gênero

O Brasil enfrenta uma alarmante escalada de feminicídios, com 1.470 mulheres assassinadas em 2025, um aumento em relação a 2024. Dados do Ministério da Justiça indicam que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país no ano passado. A viralização dessa trend ocorre em um contexto preocupante, onde a violência contra as mulheres tem se tornado uma problemática crescente.

Críticas e Reações nas Redes Sociais

Após a repercussão da trend, muitos vídeos foram removidos ou deixaram de aparecer nas buscas do TikTok, embora não esteja claro se a remoção foi feita pelos criadores ou pela plataforma. Os comentários dos usuários revelam um espectro de reações. Enquanto algumas pessoas criticam e alertam sobre a trivialização da violência, outros defendem que a intenção era apenas humorística.

Pesquisadores como Raquel Saraiva, do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, destacam que conteúdo violento tende a gerar mais engajamento nas redes do que vídeos educacionais sobre a violência de gênero. "Infelizmente, esse tipo de conteúdo acaba atraindo mais atenção e interação", afirma.

Ação das Autoridades

Diante do cenário, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) acionou o Ministério Público para investigar os vídeos que promovem agressões contra mulheres. Em seu ofício, a deputada menciona a disseminação da tendência digital misógina conhecida como "uppercut meme", enfatizando a necessidade de ações mais rigorosas na moderação das redes sociais.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, por sua vez, programou para votar um pedido de investigação formal sobre esses conteúdos. O deputado Pedro Campos (PSB-PE) lidera a solicitação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam apurados casos de apologia à violência.

Conclusão

A afirmação de que "violência contra mulheres não é piada" ecoa entre aqueles que criticam a tendencia digital, levantando questões sobre o papel da sociedade e das plataformas em moderar conteúdos que perpetuam comportamentos violentos. A repercussão continua a crescer, enquanto autoridades buscam formas de coibir esse tipo de manifestação nas redes sociais.

Com informações de: G1

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